Voltar para notícias · 27 outubro, 2015

CPI do CIMI: Em oitiva, delegado da PF afirma acreditar que CIMI incita violência e financia invasões em MS

Em mais uma reunião realizada nesta terça-feira (27/10), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) colheu importantes depoimentos de quatro indígenas e do delegado da Polícia Federal Alcídio de Souza Araújo.

Para o delegado, que chefia a delegacia da PF em Ponta Porã, o CIMI incita e financia invasões de terras em Mato Grosso do Sul. Alcídio comandou a ação de reintegração de posse da Fazenda Buriti, que pertencia ao pecuarista Ricardo Augusto Bacha e que atualmente está em posse dos índios Terenas. Ele esclareceu que durante a ação de reintegração na fazenda identificou membros do CIMI e fez a apreensão de equipamentos que comprovam a participação da entidade nos confrontos. 

“Apreendemos dois itens, um Notebook e um gravador. Fiz esta apreensão porque eu entendi que ali poderiam, e depois nos laudos foram comprovados, ter elementos que comprovassem o que eu já ouvia, da participação e do envolvimento do CIMI nessas invasões”, disse 

O delegado, que é experiente em ações de reintegração de posse e gerenciamento de crises, também contou que os próprios índios afirmam que o CIMI está por trás das ações de invasão. “Quando fiz reintegração em Miranda me lembro que demos oportunidade para que os indígenas retirassem seus pertences e naquela confusão chegou um senhor indígena já de idade e mencionou ‘isso tudo é culpa do CIMI. Eles incitam violência. Os mais velhos preferem seguir a lei, mas os mais novos são incitados pelo CIMI’”, contou o delegado. 

Já os três indígenas ouvidos na CPI, Inocência Pereira, Cacilda Pereira e Abelcio Fernandes, pediram sigilo em seus depoimentos por sentirem-se ameaçados e intimidados. Por isso o plenário da Casa de Leis foi esvaziado e os três foram ouvidos durante sessão secreta aprovada pelos membros da CPI. As oitivas não foram transmitidas pela TV Assembleia e todo o teor das declarações ficou à disposição apenas dos membros da Comissão.  

Também depoente na CPI, Dionedison Cândido, autor de um vídeo que mostra a invasão da Fazenda Buriti, disse desconhecer as acusações contra o CIMI. Dionedison é assessor do deputado federal Zeca do PT, mas mora na Aldeia Bananal, em Aquidauana. O vídeo produzido por ele foi gravado no dia 18 de maio de 2013, durante a invasão, e posteriormente postado em uma rede social.  

Dionedison explicou que apesar de não residir na Reserva Buriti, foi convidados pelos patrícios para filmar a ação. Ainda segundo ele, o CIMI, ONGs e outras instituições são convidadas a participar das ações de reintegração para presenciar qualquer ato violento que possa ocorrer, mas que essas entidades não interferem das decisões das comunidades indígenas. “Desconheço as acusações. O CIMI participa somente das assembleias, não das decisões”, garantiu, relatando também que o CIMI visita as aldeias, mas não desenvolve ações de evangelização nestes locais. 

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Após as oitivas o relator da CPI, deputado Paulo Corrêa disse não ter dúvidas de que o CIMI apoia as invasões e contribui financeiramente para que os índios possam se organizar. “Hoje foram seis horas de reunião da CPI e durante essas cinco oitivas nós colhemos informações importantíssimas. Por exemplo: de acordo com o delegado Dr. Alcídio, durante a invasão da Fazenda Buriti houve técnicas de guerrilhas. Os índios foram treinados para fazer aquilo e o dinheiro utilizado para que pudessem se organizar veio de outro lugar. O delegado também nos explicou que durante o ato, depois de feita a negociação para que os índios pudessem desocupar a área, eles voltaram atrás e que durante esse processo de negociação o CIMI estava por trás o tempo todo, orientando os índios a não desocuparem a área. São declarações importantes que comprovam a participação do CIMI em todo esse processo”, disse Paulo Corrêa. 

Já a presidente da CPI, deputado Mara Caseiro, reafirmou que a Comissão quer apenas contribuir para resolver os conflitos e garantir vida digna aos índios. “Essa CPI não é contra indígena, não é contra igreja católica, não é a favor de produtores, mas é em busca da verdade. Queremos realmente saber o que vem acontecendo no campo que hoje tirou a paz. E que a gente encontre maneiras de trazer condições dignas para nossas comunidades indígenas”, explicou. 

No final das oitivas Paulo Corrêa solicitou ao delegado da PF cópia do relatório sobre as ações de reintegração comandadas por ele no Estado. A CPI também vai requerer a quebra do sigilo bancário de um indígena que supostamente recebeu dinheiro do CIMI e cópia do inquérito 2015/2013 que investiga situação de incitação e desobediência e que têm como réus componentes do CIMI. 

Os membros das CPI também aprovaram a convocação de outras pessoas para prestar esclarecimentos. Foram aprovados os nomes do desembargador aposentado do estado de Rorâima Alcir Gursen de Miranda, do Vice-governador de Rorâima Paulo César Justo Quartiero, das produtoras rurais Mônica Alves Corrêa e Nanci Aparecida da Silva, proprietárias da fazenda esperança em Aquidauana, do presidente Nacional do CIMI e Bispo da Arquediocese de Rorâima Dom Roque Paloschi. A CPI também deliberou o pagamento de transporte para que os indígenas possam acompanhar as oitivas

 

Deputado Estadual Paulo Corrêa

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